O Direito do Trabalho brasileiro atravessa um período de inflexão estrutural. O cenário que se projeta para 2026 é marcado pela consolidação de entendimentos dos Tribunais Superiores, pela sofisticação dos modelos de contratação e pela intensificação de debates legislativos com impacto direto na organização das empresas. Nesse contexto, improvisação deixa de ser alternativa viável. Planejamento, governança jurídica e gestão de risco passam a ocupar papel central na tomada de decisões empresariais.
Entre os temas de maior relevância está a pejotização e os modelos híbridos de contratação. A distinção entre prestação de serviços legítima e vínculo de emprego disfarçado tornou-se mais técnica e menos intuitiva. A análise passa a considerar não apenas o contrato formal, mas a dinâmica real da relação, exigindo auditorias preventivas, revisão de instrumentos jurídicos e alinhamento entre prática operacional e desenho contratual.
Outro eixo sensível envolve as plataformas digitais e a subordinação algorítmica. Sistemas de metas automatizadas, ranqueamento, bloqueios e controle por aplicativos vêm sendo analisados com maior rigor pela Justiça do Trabalho, inclusive fora do setor de tecnologia. O controle indireto do trabalho tende a ser equiparado, em determinados contextos, às formas tradicionais de subordinação.
Somam-se a esses fatores os precedentes vinculantes do TST, que impactam políticas de jornada, cargos de confiança, remuneração variável, terceirização e rescisões contratuais. A discussão sobre a escala 6 x 1 e a possível redução da jornada semanal reforçam a necessidade de planejamento antecipado.
Diante desse ambiente, a atuação jurídica preventiva, aliada a compliance trabalhista, documentação estratégica e gestão consciente de riscos, torna-se essencial para garantir previsibilidade, reduzir passivos e sustentar decisões empresariais em um Direito do Trabalho cada vez mais técnico, objetivo e orientado por precedentes.